Cada um é responsável pela sua felicidade

A vida é uma preciosidade repleta de beleza e permeada pela felicidade. Mas também engrandecedora na medida em que nos apresenta obstáculos e dificuldades. Cabe a cada um decidir como entender esses momentos. Eu prefiro aceitá-los e vivê-los da melhor forma possível. Tudo pode ser bom quando se ama a VIDA!!




domingo, 31 de outubro de 2010

Coisas que me fortaleceram

Hoje vou contar um pouco sobre as experiências e buscas que tive durante todo esse processo. Ao todo foram 10 meses entre descoberta e tratamento.
Sempre gostei muito de curas alternativas. Em um determinado momento da minha vida, fiz o curso de Reiki 1 e Reiki 2. Eu amo essa prática. Ela basicamente consiste em equilibrar a energia dos chakras, ou seja, quando estamos com problemas as nossas energias ficam abaladas nos deixando mais fracos e tristes para conseguirmos nos levantar, então, o reiki entra em forma de equilibrio e para mim é automático, depois de uma sessão saio outra pessoas. Claro, que para isso, temos que ter uma pessoa realmente séria aplicando. Eu tenho a sorte de ter a Rô ao meu lado. Desde que recebi o diagnóstico, a Rô traçou um tratamento que eu deveria ir todos os dias por cerca de 30min até a sala dela para receber aplicação. Isso, com certeza me ajudou muito. Outro anjo na minha vida.
Os anjos estavam a minha volta, certo dia um dos diretores da empresa em que trabalho até hoje com muito orgulho e amor, foi até a minha casa e me disse que o presidente sugeriu que eu fizesse uma terapia, 2 vezes por semana como presente da empresa. Nossa, que empresa se precocupa a esse ponto com seu funcionário? É raro, e eu nunca vou esquecer essa e outras coisas que a Olvebra fez por mim. GRANDE EMPRESA!! Enfim, começei terapia 2 vezes por semana, foi muito interessante e construtivo. Saber que se tem um local aonde se pode chorar, gritar. se lamentar sem que ninguém mais sofra com isso, afinal, ela é uma pessoas que não tem laços afetivos comigo, então não precisava poupá-la. Era o meu momento de ter medo.
Meu pai, que demorou para levantar do baque que foi essa descoberta, procurou na fé dele ajuda para mim, amo ele demais,  me levava toda terça-feira em um centro espírita também muito legal, com pessoas maravilhosas que em seguida se tornaram nossas amigas. Sempre que chegávamos, éramos tão bem recebidos que só aquela entrada já era um conforto.
Também tentei continuar fazendo atividade física, embora a químio deixe o corpo mais pesado e cansado. Mas como sempre gostei de academias, tentei no meu rítmo.
E para completar, durante esse tempo que fiquei em tratamento, tive que parar de trabalhar, tinha os meus dias livres, oque não aconteceia a pelo menos 10 anos. Daí, resolvi que usaria esse tempo livre para aproveitar a companhia da minha família que é fora de série e também, das minhas amigas e da minha nova família (a família do Jeverson).
Agora vou falar de todos eles. Tenho a sorte de ter uma família linda e que me ama muito, a minha mãe não existe, ela é professora de artes mas está aposentada, então, como tem muitas irmãs, elas sempre fazem programas juntas, viajam, vão ao shopping, enfim, muitos passeios. No ano da doença, ela não ia a parte alguma, passou todos esses meses grudada em mim, foi minha parceira, amiga, médica, mãe, amor! Me cuidou do inicio ao fim sem demonstrar nunca fraquesa. Sempre se mostrou confiante e forte para segurar tudo oque vinha. Ela é a mulher maravilha. Fora ela, tenho muitas tias, e todas são fofas demais, 1 vez por semana tinha chá da tarde na mãe e elas levavam bolo, pães, flores, me enchiam de mimo. Nunca vou esqucer, vou ter que citar algumas, Tia Iara, Tia Nair, Tia Thê, Tia Eni, Dinda Inah, Tia Célia, Tia Marilei, Tio Her, tem as minhas primas também que foram muito amáveis mesmo, amo elas, Claudia, Aline, Roseni, Miriam, Janine, Janice, Déia, Rejane, Paulo, Déia (Paulo). Sou muito sortuda mesmo, raras pessoas tem oque eu tenho. E ainda para completar tudo de lindo que eu já tinha, veio a família do meu amor que me adotou e me cuida com tanto amor, minha sogra Nara, Dinda Rosane, Sila, Dedé, Amandinha, Tia Diloca e Tia Joeci. Muitas orações e amor vem delas.
Minhas amigas...
Nossa, são muitas e todas são amigas de verdade, raríssimo. Adri, mesmo lá dos estados Unidos esteve presente durante tudo oque aconteceu, impressionante. Romi, Márcia, Fê, Ju, Saeka, Lisi, Claudinha, Katita e outras tantas maravilhosas também.
Capítulo a parte, meu irmão, cunhada e sobrinhos. Minha cunhada é mais uma irmã do que cunhada, amo e ela me ama. Meu irmão é um exemplo de pessoa séria, honesta e batalhadora.
E para fechar o capítulo de hoje, não posso deixar de citar meus novos amigos, os queridos cariocas, Carol e Fabiano e nossos afilhados de casamento Déby e Alexandre.
Isso tudo que contei e as pessoas que citei, com certeza foram motivo de grande força para eu conseguir enfrentar tudo isso. Obrigada e meu amor a todos!!!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A queda do cabelo

Falando com a Adri
Acabou... e eu nem percebi. Amigas são tesouros!!
Até então, a doença estava lá e eu só sabia disso porque havia sido comprovado através dos inúmeros exames que havia feito. Nenhum sintoma. É estranho estar doente sem se sentir doente. Mas, depois da primeira químio, apareceu o primeiro sintoma. Exatamente 15 dias após a primeira aplicação o cabelo cai, e cai mesm.
A primeira sessão de químio foi dia 29 de fevereiro, ou seja, no dia 15 de março o cabelo cairia sem nem levar em consideração o casamento que eu tinha no dia 14. O casamento era de uma amiga querida demais e eu queria muito estar presente. Acontece que já no dia 13 o cabelo começou a cair e no dia 14 estava tão grande a queda que tivemos que praticamente colá-los para poder ir ao casamento. Foi bem triste, o primeiro sinal de que havia alguma coisa muito séria acontecendo comigo. Estava ficando cada vez mais assustador. Achar força para enfrentar isso de cabeça erguida e monida de muita esperança estava se tornando uma folosofia de vida para mim. Consegui ir ao casamento, porém, psicológicamente estava em guerra, tentando melhorar mas ainda muito sensibilizada. Gente, eu estava ficando careca...
Sempre fui muito vaidosa, gosto muito de me vestir bem, sempre frequentei academia, unhas bonitas sempre bem feitas e os cabelos... nossa, fazia luzes, hidratação, amava cuidar deles. Alias, antes de ter que raspar tinha feito um baita tratamento nos meus cabelos.
Bom, o cabelo aguentou a noite do casamento mas no outro dia estava isuportável, pois coça bastante antes de cair. Enfim, resolvi enfrentar e raspar todo. Inesquecível, sabia que sofreria muito com aquela situação. Minha mãe forrou o chão com jornal, colocou um banquinho no meio e o meu então noivo começou a raspar com um aparelho de raspar, aqueles elétricos que fazem o barulhinho também inesquecível. O início foi horrível, porém, aconteceu uma coisa muito curiosa. Tenho uma grande amiga que é praticamente uma irmã, amo muito ela, passamos muitas coisas maravilhosas juntas, ela é quase um anjinho na minha vida. Ela está morando nos Estados Unidos a cerca de 8 anos. Inacreditavelmente, no que o Jeverson começou a raspar, o telefone tocou e era ela, a Adri. Eu já estava chorando e contei a ela oque estava fazendo. Não sei direito oque aconteceu mas ela começou a me contar várias histórias de lá e quando eu dei por mim, já havia acabado. Sabe, ela me envolveu tanto com os assuntos dela que não vivi direito aquele momento que sei que seria muito sofrido. Entendem agora porque digo que ela é um anjinho? Esperem porque ela ainda será citada muitas vezes nos meus relatos e todos são mais ou menos nesse estilo.
Depois disso, começei a estrapolar na criatividade para disfarçar a falta do cabelo e me sentir bonita. Me fazia bem me sentir bonita e o meu lema era não ter a aparência de quem está doente para ajudar a não me sentir doente. Acredito que a nossa cabeça é capaz de melhorar ou piorar o tratamento e eu  estava disposta a fazer um pacto com a minha cabeça para que tudo ocorresse da melhor forma possível.
Agora, era tocar a vida e lutar, muito!!!!!!!!!!!!



domingo, 17 de outubro de 2010

Primeira químio

Local da químio. Uma clínica maravilhosa com uma enfermeira que é um anjo.
Não tem jeito de se acostumar com a picada
E assim é uma aplicação de químio.
Chegou o dia da primeira químio. Elas ocorreram de 21 em 21 dias. Minha mãe me acompanhou para a sessão. A aplicação é feita em uma clínica muito agradável, poucas pessoas na sala e uma enfermeira tão astral que por alguns instantes dá até para esquecer que estou fazendo a temida quimioterapia. Durou cerca de 3h. Não senti nada durante a sessão e nem durante o resto do dia. Animada com a decoberta de que não sentiria nada marcamos uma janta em uma pizzaria maravilhosa com um casal muito querido de amigos, Fê e Eduardo. Comi, comi, comi... muito bom!!! Alias, sou bem comilona, dei sorte de não engordar com facilidade. Bom, o problema é que eu não sabia que os efeitos dariam no outro dia. Noooossa, fiquei muito enjoada, não podia nem pensar em comida.  Esse foi o primeiro sinal de que estava passando por um tratamento realmente difícil. Entendi que na semana da químio teria que fazer uma dieta leve para amenizar os sintomas de enjôo.
Mas ainda viria outra prova que teria que passar com força e esperança. A queda do cabelo. Isso tem dia certo para acontecer, 15 dias após a primeira químio os cabelos cairam totalmente. Esse será o próximo capítulo. Até amanhã!!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Inicio de tratamento


Brinde ao nosso noivado. Família amada.

Noivado feliz
Eu, Jeverson e meus pais após o pedido de casamento
Bateria de exames. Assim começou a minha luta para vencer essa doença que entrou em silêncio no meu corpo. Uma série grande de diferentes exames em diferentes lugares. Meus pais e meu então noivo na época foram de extrema importância durante toda essa caminhada. Houve uma divisão natural entre eles para me acompanharem nos exames.

Faço aniversário em novembro, dia 16, 3 meses antes de ser diagnosticada com câncer de mama, fiz uma festinha de comemoração com todos os meus amigos, meus pais, irmão, cunhada e sobrinhos, ao todo eram umas 30 pessoas. Foi uma noite inesquecível, fui pedida em casamento pelo meu amor. Um pedido formal ao meu pai em frente a todos. Não consigo esquecer aquela noite. Enquanto ele fazia o pedido eu ia olhando emocionada ao redor e minha mãe e minhas amigas choravam de alegria. Há, minhas amigas, outro capítulo que quero contar na sequência.
Marcamos o casamento para setembro. Muuuuita alegria!!!

Bom, voltando ao fato. Até então minha médica achava que o casamento não precisava ser cancelado, que o tratamento acabaria antes. Infelizmente não foi assim que aconteceu. Com os resultados dos exames em mãos, minha médica me ligou pedindo que fosse naquele momento encontrar com ela na Santa casa de Porto Alegre. Aquele dia me desesperei. Fomos eu e o meu noivo ouvir oque ela tinha para nos dizer. Não era nada bom, o tumor estava muito grande e em grau 3. O tratamento seria longo e ela me sugeriu que parasse de trabalhar para me dedicar exclusivamente ao meu tratamento. E para completar, teria que desmarcar o casamento. Chorei muito, de medo, de tristeza, de pena. O tratamento a princípio seria: 4 químios, cirurgia, mais 4 químios e mais 1 mês de rádio.
Amanhã conto mais...



Muita emoção na hora do pedido de casamento.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

A descoberta

Férias em Ibiraquera - 2008
Oi gente! Hoje é dia 12 de outubro de 2010 e finalmente senti que chegou o momento de dividir com todos que se interessarem pelo assunto a minha luta.
Em fevereiro de 2008, enquanto estava desfrutando de merecidas férias no litoral catarinense, acomanhada do meu grande amor e de bons amigos, recebi um telefonema da minha Tia e também médica a quem chamo carinhosamente de Tiaia. Nesse telefonema ela pedia que eu voltasse 1 dia antes do final das férias pois havia marcado uma consulta com outra médica para mim. Essa, uma oncologista. Como, antes de iniciar as férias havia feito alguns exames em função de um nódulo que eu mesma havia sentido ao passar creme nos seios, entendi na hora que se tratava de algo grave em relação ao resultado.
Nunca vou me esquecer, no dia 14 de fevereiro, em uma consulta que estavam presentes, meu pai, minha mãe, meu noivo e a Tiaia, recebi a notícia de que estava com câncer de mama... E agora? Oque fazer? Como agir? Qual a esperança?
Neste blog, pretendo contar tudo que passei e oque descobri com a doença. Contarei em capítulos para que não se torne pesado e extenço demais. Também quero ilustrar com fotos que devem passar um pouco do sentimento na época.
Me acompanhem sempre, pois acredito que tudo que vivi e ainda estou vivendo poderá ajudar muitas pessoas a acreditarem que tudo pode mudar. Ou melhor, que nós podemos mudar tudo! Amanhã eu continuo...