Enfim chegou a segunda fase de químios. Agora a medicação se chama taxol, ela dá menos efeitos colaterais. Os únicos sintomas são uma dor no corpo, como se estivesse entrando numa gripe, a queda do cabelo e fungos nas unhas (esse eu não tive. Tomei linhaça dourada triturada o ano inteiro em jejum, acho que ajudou).
Na verdae nessa fase passei melhor ainda. Aproveitei para viajar um pouco. Fomos algumas vezes para Gramado, eu minha mãe e minhas tias. Eram passeios ótimos, elas são grandes companhias. E outras tantas vezes fomos eu e o Jeverson passar os finais de semana também em Gramado.
Até que passou rápido as últimas 4 vezes, no dia 3 de setembro... ôba!!!!!!!!!!!!! Acabaram as químios!!!! Ninguém imagina o sabor que esse dia teve. Liberdade, reconstrução, voltar a ser eu mesma, recuperação, muitos significados.
Começava agora a radioterapia. Minha maravilhosa médica me orientou ir no hospital Moinhos de Vento para as sessões. Ótima indicação, o lugar era ótimo e a equipe que atende muito atenciosa e competente. Seriam 28 sessões, todos os dias. Funciona assim: No primeiro dia, é feita uma marcação com tatuagem mesmo delimitando o local da aplicação. Dali em diante, todos os dias com execção de sábados e domingos, eu ia até o hospital receber a irradiação que durava cerca de 30min se bem me lembro. Criei o hábito de durante toda sessão, todos as 28 vezes, rezar PAI NOSSO e AVE MARIA. Me fazia bem acreditar que eles estava auxiliando a minha cura. Eu realmente queria me curar. Amo muito a vida.
E inacreditavelmente... chegou o final de tudo!! Dia 31 de outubro, fiz minha última sessão de radio. ACABOU, ACABOU, ACABOU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Coiscidentemente o meu afastamento dado pelo INSS ia até o dia 3 de novembro. Eu poderia prolongar e descançar um pouco da maratona pela cura que vivi durante o ano, mas quer saber???? Tava louca para voltar a trabalhar. Aquilo me representava VIDA NORMAL!! Minha médica concordou então era só voltar.
Eu lembro com clareza o dia que antecedeu a minha volta para olvebra. Me senti muito nervosa, queria que o primeiro dia passasse logo. Não sei definir bem oque senti, mas foi algo tipo medo que sentissem pena de mim, da minha aparência. Eu voltaria de peruca, isso me deixava insegura, afinal as pessoas mais chegadas me visitaram durante a minha ausência, mas tinha todos os outros colegas que iriam me ver diferente e aquilo me deixava muito nervosa. Mas, como sou muito abençoada oque aconteceu foi que entrei na Olvebra e não via ninguém no caminho até a minha sala. Quando entrei, foi coisa mais amada do mundo, estavam todos atrás de uma bela mesa de café da manhã com uma faixa de boas vindas e muitos balões, língua de sogra enfim, fizeram uma festa "café da manhã", gente, 8h da manhã!!!!!! Aproveito para citar com muito amor as minhas colegas e amigas queridas que me apoiaram e continuam me apoiando, Milú, Cami, Marga, Lê e Clá. Queria também falar do carinho e compreenção do meu diretor Marcelo que é um grande cara!!!!! Repito com orgulho, a Olvebra é uma empresa rara que eu visto a camiseta para sempre!
Pena não ter fotos para mostrar que bonita homenagem eu recebi, como não sabia da surpresa, não levei máquina.
Bom, desse dia em diante, tentei retomar a minha vida da forma mais normal possível.
Aguardem, oque vem pela frente.
Este blog foi criado para transmitir minha experiência a todas as pessoas que passam por algum problema de saúde. Em especial, o temido câncer de mama.
Cada um é responsável pela sua felicidade
A vida é uma preciosidade repleta de beleza e permeada pela felicidade. Mas também engrandecedora na medida em que nos apresenta obstáculos e dificuldades. Cabe a cada um decidir como entender esses momentos. Eu prefiro aceitá-los e vivê-los da melhor forma possível. Tudo pode ser bom quando se ama a VIDA!!
terça-feira, 9 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
Criatividade
Hoje vou falar e mostrar um pouco do que podemos criar para nos sentirmos mais bonitas nessa fase.
Ganhei lenços lindos, com brilhos e cores da moda. Minha dinda me deu um, com tons de rosa e brilhos, a minha amiga Clá, foi a Portugal e me trouxe um bem colorido. A Tia Thê baixou o armário e me deu outros tantos maravilhosos. Já a Tia Marilei tricotou muito para mim, fez cada conjunto de toca e manta mais lindos. Por sorte Porto Alegre fez muito frio nesse inverno, as vezes as pessoas nem percebiam que abaixo daquele estilo todo existia um motivo... a falta de cabelo.
Outra dica importante que recebi foi a de cortar o cabelo curto logo na primeira químio para fazer uma peruca. Ficou bem bonita com meu próprio cabelo me sentia mais eu mesma.
Eu ia drilblando a doença, ela querendo se mostrar e eu mostrando a ela que ela não podia comigo. Me sentia mais forte principalmente pelo fato de as pessoas não perceberem em mim uma aparência debilitada.
A sombrançelha também caiu, juntamente com os cílios, isso sim tira qualquer expressão facial. Mas daí, existem os lápis e delineadores nas mão de uma mãe artista e uma afilhada muito carinhosa e presente, a Aline. Juntas elas tentavam me maquiar sempre com truques de sombras e outras invenções delas.
Minha psicóloga certa vez, me falou que chamava a atenção dela o fato de eu estar sempre maquiada e bem vestida. Sou maior que a doença e não admitia ser atropelada por ela.
Não deixei nunca de fazer nada e nem de ir a lugar algum durante o tratamento. Claro que outro motivo de segurança era o fato do meu amor Jeverson continuar me admirando e na verdade essas mudanças pareciam não ter relevância para ele. Meu grande amor...
Ganhei lenços lindos, com brilhos e cores da moda. Minha dinda me deu um, com tons de rosa e brilhos, a minha amiga Clá, foi a Portugal e me trouxe um bem colorido. A Tia Thê baixou o armário e me deu outros tantos maravilhosos. Já a Tia Marilei tricotou muito para mim, fez cada conjunto de toca e manta mais lindos. Por sorte Porto Alegre fez muito frio nesse inverno, as vezes as pessoas nem percebiam que abaixo daquele estilo todo existia um motivo... a falta de cabelo.
Outra dica importante que recebi foi a de cortar o cabelo curto logo na primeira químio para fazer uma peruca. Ficou bem bonita com meu próprio cabelo me sentia mais eu mesma.
Eu ia drilblando a doença, ela querendo se mostrar e eu mostrando a ela que ela não podia comigo. Me sentia mais forte principalmente pelo fato de as pessoas não perceberem em mim uma aparência debilitada.
A sombrançelha também caiu, juntamente com os cílios, isso sim tira qualquer expressão facial. Mas daí, existem os lápis e delineadores nas mão de uma mãe artista e uma afilhada muito carinhosa e presente, a Aline. Juntas elas tentavam me maquiar sempre com truques de sombras e outras invenções delas.
Minha psicóloga certa vez, me falou que chamava a atenção dela o fato de eu estar sempre maquiada e bem vestida. Sou maior que a doença e não admitia ser atropelada por ela.
Não deixei nunca de fazer nada e nem de ir a lugar algum durante o tratamento. Claro que outro motivo de segurança era o fato do meu amor Jeverson continuar me admirando e na verdade essas mudanças pareciam não ter relevância para ele. Meu grande amor...
| Curtinho para fazer peruca |
| Lenço da Tia Thê |
| Lenço da minha dinda |
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
A cirurgia
Então se passaram quase 4 meses e 4 químios. As químios aconteciam de 21 em 21 dias. Em geral passei bem em todas, desenvolvi a técnica de na semana de químio comer somente coisas leves e os enjôos foram ficando bem fracos. Vomitei somente uma vez.
Próximo passo, nova bateria de exames para enfim realizar a cirurgia. O procedimento ficou marcado para o dia 12 de junho de 2008. Tínhamos que estar na Santa Casa ás 7h da manhã de um dia muito frio em Porto Alegre. Fomos eu, o pai, a mãe e o Jeverson. Ao chegarmos, mesmo sendo tão cedo, já tinham várias tias, tios e a minha sogra na sala de espera do Santa Rita.
O procedimento era bem claro, retirada total do seio direito e eu estava totalmente conformada, alias, não só conformada eu queria mesmo tirar pois a sensação que eu tinha é que dessa forma limparia todo aquele mal que estava no meu corpo.
Me chamaram para entrar, muitos abraços e carinhos de todos, coisa mais amada. Quando entrei logo ví a Tiaia, minha tia médica que acompanhou toda a cirurgia. Me senti muito amparada, ela sempre carinhosa ficou ao meu lado e assim aliviava também a família que estava lá na sala de espera. Para completar, a minha excelente médica Rosilene entrou e tirou de letra a cirurgia. Foi tudo perfeito, como somente uma médica do porte da minha poderia fazer.
Quando recuperei a consciência, me lembro de sair na maca da UTI e em seguida enxergar meu pai. Fui para o quarto.
Bom, o quarto era sempre agitado, muita gente entrando e saindo o tempo todo. Minha mãe que dormiu a maioria dos dias comigo revesando algumas poucas com o Jeverson e eu, nem víamos o tempo passar com o fluxo de visitas.
Não posso reclamar, passei super bem. Não sentia dor e ganhava muuuuitos presentes.
Aconteceram coisas hilárias. Principalmente comigo e o Jeverson. Teve um sábado que ele ficou para dormir comigo, resolvemos pegar um filme para ver no noteboock. Deitamos os 2 juntos na minha cama e nem percebemos que ele estava em cima do dreno, bloqueando completamente o equipamento. Quando a dra. Rosilene foi me ver é que percebemos, morrendo de vergonha, pois ela entrou e nós estávamos bem deitadinhos juntos na maca. Heheheh
Fiquei cerca de 8 dias no hospital e era bem estranho enxergar aquele curativo reto no lado que deveria estar o meu peito direito. Era estranho principalmente porque o seio esquerdo continuava ali. Juro que nunca sofri por isso, mas era esquisito. Nessas alturas, eu já estava ficando fera na criatividade, para todos os danos estéticos, arrumei boas soluções e posso dizer que não me sentia horrorosa. As vezes até me achava bem bonita com meus lenços e conjuntos de toca e manta. Na sequencia boto fotos do hospital
Até mais!
Próximo passo, nova bateria de exames para enfim realizar a cirurgia. O procedimento ficou marcado para o dia 12 de junho de 2008. Tínhamos que estar na Santa Casa ás 7h da manhã de um dia muito frio em Porto Alegre. Fomos eu, o pai, a mãe e o Jeverson. Ao chegarmos, mesmo sendo tão cedo, já tinham várias tias, tios e a minha sogra na sala de espera do Santa Rita.
O procedimento era bem claro, retirada total do seio direito e eu estava totalmente conformada, alias, não só conformada eu queria mesmo tirar pois a sensação que eu tinha é que dessa forma limparia todo aquele mal que estava no meu corpo.
Me chamaram para entrar, muitos abraços e carinhos de todos, coisa mais amada. Quando entrei logo ví a Tiaia, minha tia médica que acompanhou toda a cirurgia. Me senti muito amparada, ela sempre carinhosa ficou ao meu lado e assim aliviava também a família que estava lá na sala de espera. Para completar, a minha excelente médica Rosilene entrou e tirou de letra a cirurgia. Foi tudo perfeito, como somente uma médica do porte da minha poderia fazer.
Quando recuperei a consciência, me lembro de sair na maca da UTI e em seguida enxergar meu pai. Fui para o quarto.
Bom, o quarto era sempre agitado, muita gente entrando e saindo o tempo todo. Minha mãe que dormiu a maioria dos dias comigo revesando algumas poucas com o Jeverson e eu, nem víamos o tempo passar com o fluxo de visitas.
Não posso reclamar, passei super bem. Não sentia dor e ganhava muuuuitos presentes.
Aconteceram coisas hilárias. Principalmente comigo e o Jeverson. Teve um sábado que ele ficou para dormir comigo, resolvemos pegar um filme para ver no noteboock. Deitamos os 2 juntos na minha cama e nem percebemos que ele estava em cima do dreno, bloqueando completamente o equipamento. Quando a dra. Rosilene foi me ver é que percebemos, morrendo de vergonha, pois ela entrou e nós estávamos bem deitadinhos juntos na maca. Heheheh
Fiquei cerca de 8 dias no hospital e era bem estranho enxergar aquele curativo reto no lado que deveria estar o meu peito direito. Era estranho principalmente porque o seio esquerdo continuava ali. Juro que nunca sofri por isso, mas era esquisito. Nessas alturas, eu já estava ficando fera na criatividade, para todos os danos estéticos, arrumei boas soluções e posso dizer que não me sentia horrorosa. As vezes até me achava bem bonita com meus lenços e conjuntos de toca e manta. Na sequencia boto fotos do hospital
| Esse cachorrinho de pelúcia eu ganhei da Tiaia |
| Muuuuitos presentes |
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