Cada um é responsável pela sua felicidade

A vida é uma preciosidade repleta de beleza e permeada pela felicidade. Mas também engrandecedora na medida em que nos apresenta obstáculos e dificuldades. Cabe a cada um decidir como entender esses momentos. Eu prefiro aceitá-los e vivê-los da melhor forma possível. Tudo pode ser bom quando se ama a VIDA!!




sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

2009 MARAVILHOSO

Passado tudo aquilo, finalmente entrei no ano que seria muito especial para mim. O ano do meu adiado casamento. Marcamos a data, 24 de outubro, na Igreja Santa Terezinha com uma festa na Sogipa, um clube que trabalhei durante 5 anos e que sou fã até hoje.
Os preparativos começaram cedo, escolhe fotógrafo, filmagem, decoração, som, luz... enfim mil coisas para definir. E ainda entre tudo isso, muito trabalho na Olvebra e algumas cirurgias de reconstrução da mama que eu havia tirado em 2008.
Minha mãe maravilhosa, se dedicou de corpo e alma ao casamento fez junto com a minha prima que é quase uma irmã, a Claudia, todas as lembrançinhas, porta guardanapos. Foi um ano que ela abriu mão de tudo por nós, eu sei que ela não comprou uma peça de roupa porque tudo oque podia ela ajudava no casamento que foi bem suado para nós. Meu pai nem se fala... ajudou, ajudou e ajudou. Nunca agradeci o tanto que eles merecem.
A liberação para reconstrução saiu em abril, e eu começei a busca pelo médico ideal. Esse assunto é bem delicado, pois quando se procura um cirurgião plástico, se pensa diretamente na beleza estética e nesse caso não é somente uma questão estética, é muito mais que isso é uma questão de saúde. Todo cuidado é pouco e a paciente está óbviamente ainda se refazendo de todo peso de 1 ano de químio, rádio... Acho que essa confusão de alguns médicos podem deixar a paciente com medo. Esse foi o meu caso.
Primeira cirurgia, 17 de abril, pensamos que por ter pele bastante poderíamos colocar o silicone direto e oque aconteceu é que o musculo espremeu o silicone e eu sofri bastante. Pois o meu médico indicou colocar uma faixa apertada acima do peito para baixar o silicone e eu fiquei toda machucada na axila e no braço. Até que resolvemos tirar tudo em uma segunda cirurgia e colocar o tal expanssor para abrir lugar o suficiente para caber a tal prótese.
Uma ou duas vezes por semana eu ia no consultório para que ele inflasse o expanssor. Sinceramente, nem lembro direito como funcionava, só lembro que doia muito cada vez que ele enchia. E eu, ia do consultório direto para o trabalho, com dor, dor e dor. Sem comentários sobre a falta de cuidado...
Em 24 de setembro, exatamente 1 mês antes do casamento, fiz a última cirurgia. Retirei o expanssor e coloquei finalmente a prótese corretamente. O médico colocou um pouquinho no outro peito também para tentar igualar um pouco os 2. Não sei direito oque dizer sobre tudo isso, mas tenho algumas mágoas do médico. Vou virar a página.
24 de outubro chegou!! O dia amanheceu desabando em temporal, hehehe. Em pouco tempo recebi muitas ligações e mensagens tentando me acalmar mas na verdade eu estava tão feliz que aquilo nem me importava.
Foi tudo perfeito!! O casamento foi lindo, o Padre era um sonho, a festa durou até 5h com todo mundo dançando e se divertindo. Eu sentia que estavam todos felizes, nossas famílias maravilhosas e nossos grandes amigos festejaram a nossa felicidade que era transbordante.
E no outro dia... lua de mel... Amei tudo. Agradeço a vida que tenho com certeza. Eu e meu amor, aproveitamos cada segundo, somos muuuuuito parceiros. Meu amor!!!!!!
beijos
Eu, muuuuuito feliz!!
Eu e meu amor!!!

Família
 Abaixo fotinhos do casamento.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Retomada das químios e rádio.

Enfim chegou a segunda fase de químios. Agora a medicação se chama taxol, ela dá menos efeitos colaterais. Os únicos sintomas são uma dor no corpo, como se estivesse entrando numa gripe, a queda do cabelo e fungos nas unhas (esse eu não tive. Tomei linhaça dourada triturada o ano inteiro em jejum, acho que ajudou).
Na verdae nessa fase passei melhor ainda. Aproveitei para viajar um pouco. Fomos algumas vezes para Gramado, eu minha mãe e minhas tias. Eram passeios ótimos, elas são grandes companhias. E outras tantas vezes fomos eu e o Jeverson passar os finais de semana também em Gramado.
Até que passou rápido as últimas 4 vezes, no dia 3 de setembro... ôba!!!!!!!!!!!!! Acabaram as químios!!!! Ninguém imagina o sabor que esse dia teve. Liberdade, reconstrução, voltar a ser eu mesma, recuperação, muitos significados.
Começava agora a radioterapia. Minha maravilhosa médica me orientou ir no hospital Moinhos de Vento para as sessões. Ótima indicação, o lugar era ótimo e a equipe que atende muito atenciosa e competente. Seriam 28 sessões, todos os dias. Funciona assim: No primeiro dia, é feita uma marcação com tatuagem mesmo delimitando o local da aplicação. Dali em diante, todos os dias com execção de sábados e domingos, eu ia até o hospital receber a irradiação que durava cerca de 30min se bem me lembro. Criei o hábito de durante toda sessão, todos as 28 vezes, rezar PAI NOSSO e AVE MARIA. Me fazia bem acreditar que eles estava auxiliando a minha cura.  Eu realmente queria me curar. Amo muito a vida.
E inacreditavelmente... chegou o final de tudo!! Dia 31 de outubro, fiz minha última sessão de radio. ACABOU, ACABOU, ACABOU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Coiscidentemente o meu afastamento dado pelo INSS ia até o dia 3 de novembro. Eu poderia prolongar e descançar um pouco da maratona pela cura que vivi durante o ano, mas quer saber???? Tava louca para voltar a trabalhar. Aquilo me representava VIDA NORMAL!! Minha médica concordou então era só voltar.
Eu lembro com clareza o dia que antecedeu a minha volta para olvebra. Me senti muito nervosa, queria que o primeiro dia passasse logo. Não sei definir bem oque senti, mas foi algo tipo medo que sentissem pena de mim, da minha aparência. Eu voltaria de peruca, isso me deixava insegura, afinal as pessoas mais chegadas me visitaram durante a minha ausência, mas tinha todos os outros colegas que iriam me ver diferente e aquilo me deixava muito nervosa. Mas, como sou muito abençoada oque aconteceu foi que entrei na Olvebra e não via ninguém no caminho até a minha sala. Quando entrei, foi coisa mais amada do mundo, estavam todos atrás de uma bela mesa de café da manhã com uma faixa de boas vindas e muitos balões, língua de sogra enfim, fizeram uma festa "café da manhã", gente, 8h da manhã!!!!!! Aproveito para citar com muito amor as minhas colegas e amigas queridas que me apoiaram e continuam me apoiando, Milú, Cami, Marga, Lê e Clá. Queria também falar do carinho e compreenção do meu diretor Marcelo que é um grande cara!!!!! Repito com orgulho, a Olvebra é uma empresa rara que eu visto a camiseta para sempre!
Pena não ter fotos para mostrar que bonita homenagem eu recebi, como não sabia da surpresa, não levei máquina.
Bom, desse dia em diante, tentei retomar a minha vida da forma mais normal possível.
Aguardem, oque vem pela frente.

domingo, 7 de novembro de 2010

Criatividade

Hoje vou falar e mostrar um pouco do que podemos criar para nos sentirmos mais bonitas nessa fase.
Ganhei lenços lindos, com brilhos e cores da moda. Minha dinda me deu um, com tons de rosa e brilhos, a minha amiga Clá, foi a Portugal e me trouxe um bem colorido. A Tia Thê baixou o armário e me deu outros tantos maravilhosos. Já a Tia Marilei tricotou muito para mim, fez cada conjunto de toca e manta mais lindos. Por sorte Porto Alegre fez muito frio nesse inverno, as vezes as pessoas nem percebiam que abaixo daquele estilo todo existia um motivo... a falta de cabelo.
Outra dica importante que recebi foi a de cortar o cabelo curto logo na primeira químio para fazer uma peruca. Ficou bem bonita com meu próprio cabelo me sentia mais eu mesma.
Eu ia drilblando a doença, ela querendo se mostrar e eu mostrando a ela que ela não podia comigo. Me sentia mais forte principalmente pelo fato de as pessoas não perceberem em mim uma aparência debilitada.
A sombrançelha também caiu, juntamente com os cílios, isso sim tira qualquer expressão facial. Mas daí, existem os lápis e delineadores nas mão de uma mãe artista e uma afilhada muito carinhosa e presente, a Aline. Juntas elas tentavam me maquiar sempre com truques de sombras e outras invenções delas.
Minha psicóloga certa vez, me falou que chamava a atenção dela o fato de eu estar sempre maquiada e bem vestida. Sou maior que a doença e não admitia ser atropelada por ela.
Não deixei nunca de fazer nada e nem de ir a lugar algum durante o tratamento. Claro que outro motivo de segurança era o fato do meu amor Jeverson continuar me admirando e na verdade essas mudanças pareciam não ter relevância para ele. Meu grande amor...

Curtinho para fazer peruca
Lenço da Tia Thê
Lenço da minha dinda

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A cirurgia

Então se passaram quase 4 meses e 4 químios. As químios aconteciam de 21 em 21 dias. Em geral passei bem em todas, desenvolvi a técnica de na semana de químio comer somente coisas leves e os enjôos foram ficando bem fracos. Vomitei somente uma vez.
Próximo passo, nova bateria de exames para enfim realizar a cirurgia. O procedimento ficou marcado para o dia 12 de junho de 2008. Tínhamos que estar na Santa Casa ás 7h da manhã de um dia muito frio em Porto Alegre. Fomos eu, o pai, a mãe e o Jeverson. Ao chegarmos, mesmo sendo tão cedo, já tinham várias tias, tios e a minha sogra na sala de espera do Santa Rita.
O procedimento era bem claro, retirada total do seio direito e eu estava totalmente conformada, alias, não só conformada eu queria mesmo tirar pois a sensação que eu tinha é que dessa forma limparia todo aquele mal que estava no meu corpo.
Me chamaram para entrar, muitos abraços e carinhos de todos, coisa mais amada. Quando entrei logo ví a Tiaia, minha tia médica que acompanhou toda a cirurgia. Me senti muito amparada, ela sempre carinhosa ficou ao meu lado e assim aliviava também a família que estava lá na sala de espera. Para completar, a minha excelente médica Rosilene entrou e tirou de letra a cirurgia. Foi tudo perfeito, como somente uma médica do porte da minha poderia fazer.
Quando recuperei a consciência, me lembro de sair na maca da UTI e em seguida enxergar meu pai. Fui para o quarto.
Bom, o quarto era sempre agitado, muita gente entrando e saindo o tempo todo. Minha mãe que dormiu a maioria dos dias comigo revesando algumas poucas com o Jeverson e eu, nem víamos o tempo passar com o fluxo de visitas.
Não posso reclamar, passei super bem. Não sentia dor e ganhava muuuuitos presentes.
Aconteceram coisas hilárias. Principalmente comigo e o Jeverson. Teve um sábado que ele ficou para dormir comigo, resolvemos pegar um filme para ver no noteboock. Deitamos os 2 juntos na minha cama e nem percebemos que ele estava em cima do dreno, bloqueando completamente o equipamento. Quando a dra. Rosilene foi me ver é que percebemos, morrendo de vergonha, pois ela entrou e nós estávamos bem deitadinhos juntos na maca. Heheheh
Fiquei cerca de 8 dias no hospital e era bem estranho enxergar aquele curativo reto no lado que deveria estar o meu peito direito. Era estranho principalmente porque o seio esquerdo continuava ali. Juro que nunca sofri por isso, mas era esquisito. Nessas alturas, eu já estava ficando fera na criatividade, para todos os danos estéticos, arrumei boas soluções e posso dizer que não me sentia horrorosa. As vezes até me achava bem bonita com meus lenços e conjuntos de toca e manta. Na sequencia boto fotos do hospital
Esse cachorrinho de pelúcia eu ganhei da Tiaia
Muuuuitos presentes
Até mais!

domingo, 31 de outubro de 2010

Coisas que me fortaleceram

Hoje vou contar um pouco sobre as experiências e buscas que tive durante todo esse processo. Ao todo foram 10 meses entre descoberta e tratamento.
Sempre gostei muito de curas alternativas. Em um determinado momento da minha vida, fiz o curso de Reiki 1 e Reiki 2. Eu amo essa prática. Ela basicamente consiste em equilibrar a energia dos chakras, ou seja, quando estamos com problemas as nossas energias ficam abaladas nos deixando mais fracos e tristes para conseguirmos nos levantar, então, o reiki entra em forma de equilibrio e para mim é automático, depois de uma sessão saio outra pessoas. Claro, que para isso, temos que ter uma pessoa realmente séria aplicando. Eu tenho a sorte de ter a Rô ao meu lado. Desde que recebi o diagnóstico, a Rô traçou um tratamento que eu deveria ir todos os dias por cerca de 30min até a sala dela para receber aplicação. Isso, com certeza me ajudou muito. Outro anjo na minha vida.
Os anjos estavam a minha volta, certo dia um dos diretores da empresa em que trabalho até hoje com muito orgulho e amor, foi até a minha casa e me disse que o presidente sugeriu que eu fizesse uma terapia, 2 vezes por semana como presente da empresa. Nossa, que empresa se precocupa a esse ponto com seu funcionário? É raro, e eu nunca vou esquecer essa e outras coisas que a Olvebra fez por mim. GRANDE EMPRESA!! Enfim, começei terapia 2 vezes por semana, foi muito interessante e construtivo. Saber que se tem um local aonde se pode chorar, gritar. se lamentar sem que ninguém mais sofra com isso, afinal, ela é uma pessoas que não tem laços afetivos comigo, então não precisava poupá-la. Era o meu momento de ter medo.
Meu pai, que demorou para levantar do baque que foi essa descoberta, procurou na fé dele ajuda para mim, amo ele demais,  me levava toda terça-feira em um centro espírita também muito legal, com pessoas maravilhosas que em seguida se tornaram nossas amigas. Sempre que chegávamos, éramos tão bem recebidos que só aquela entrada já era um conforto.
Também tentei continuar fazendo atividade física, embora a químio deixe o corpo mais pesado e cansado. Mas como sempre gostei de academias, tentei no meu rítmo.
E para completar, durante esse tempo que fiquei em tratamento, tive que parar de trabalhar, tinha os meus dias livres, oque não aconteceia a pelo menos 10 anos. Daí, resolvi que usaria esse tempo livre para aproveitar a companhia da minha família que é fora de série e também, das minhas amigas e da minha nova família (a família do Jeverson).
Agora vou falar de todos eles. Tenho a sorte de ter uma família linda e que me ama muito, a minha mãe não existe, ela é professora de artes mas está aposentada, então, como tem muitas irmãs, elas sempre fazem programas juntas, viajam, vão ao shopping, enfim, muitos passeios. No ano da doença, ela não ia a parte alguma, passou todos esses meses grudada em mim, foi minha parceira, amiga, médica, mãe, amor! Me cuidou do inicio ao fim sem demonstrar nunca fraquesa. Sempre se mostrou confiante e forte para segurar tudo oque vinha. Ela é a mulher maravilha. Fora ela, tenho muitas tias, e todas são fofas demais, 1 vez por semana tinha chá da tarde na mãe e elas levavam bolo, pães, flores, me enchiam de mimo. Nunca vou esqucer, vou ter que citar algumas, Tia Iara, Tia Nair, Tia Thê, Tia Eni, Dinda Inah, Tia Célia, Tia Marilei, Tio Her, tem as minhas primas também que foram muito amáveis mesmo, amo elas, Claudia, Aline, Roseni, Miriam, Janine, Janice, Déia, Rejane, Paulo, Déia (Paulo). Sou muito sortuda mesmo, raras pessoas tem oque eu tenho. E ainda para completar tudo de lindo que eu já tinha, veio a família do meu amor que me adotou e me cuida com tanto amor, minha sogra Nara, Dinda Rosane, Sila, Dedé, Amandinha, Tia Diloca e Tia Joeci. Muitas orações e amor vem delas.
Minhas amigas...
Nossa, são muitas e todas são amigas de verdade, raríssimo. Adri, mesmo lá dos estados Unidos esteve presente durante tudo oque aconteceu, impressionante. Romi, Márcia, Fê, Ju, Saeka, Lisi, Claudinha, Katita e outras tantas maravilhosas também.
Capítulo a parte, meu irmão, cunhada e sobrinhos. Minha cunhada é mais uma irmã do que cunhada, amo e ela me ama. Meu irmão é um exemplo de pessoa séria, honesta e batalhadora.
E para fechar o capítulo de hoje, não posso deixar de citar meus novos amigos, os queridos cariocas, Carol e Fabiano e nossos afilhados de casamento Déby e Alexandre.
Isso tudo que contei e as pessoas que citei, com certeza foram motivo de grande força para eu conseguir enfrentar tudo isso. Obrigada e meu amor a todos!!!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A queda do cabelo

Falando com a Adri
Acabou... e eu nem percebi. Amigas são tesouros!!
Até então, a doença estava lá e eu só sabia disso porque havia sido comprovado através dos inúmeros exames que havia feito. Nenhum sintoma. É estranho estar doente sem se sentir doente. Mas, depois da primeira químio, apareceu o primeiro sintoma. Exatamente 15 dias após a primeira aplicação o cabelo cai, e cai mesm.
A primeira sessão de químio foi dia 29 de fevereiro, ou seja, no dia 15 de março o cabelo cairia sem nem levar em consideração o casamento que eu tinha no dia 14. O casamento era de uma amiga querida demais e eu queria muito estar presente. Acontece que já no dia 13 o cabelo começou a cair e no dia 14 estava tão grande a queda que tivemos que praticamente colá-los para poder ir ao casamento. Foi bem triste, o primeiro sinal de que havia alguma coisa muito séria acontecendo comigo. Estava ficando cada vez mais assustador. Achar força para enfrentar isso de cabeça erguida e monida de muita esperança estava se tornando uma folosofia de vida para mim. Consegui ir ao casamento, porém, psicológicamente estava em guerra, tentando melhorar mas ainda muito sensibilizada. Gente, eu estava ficando careca...
Sempre fui muito vaidosa, gosto muito de me vestir bem, sempre frequentei academia, unhas bonitas sempre bem feitas e os cabelos... nossa, fazia luzes, hidratação, amava cuidar deles. Alias, antes de ter que raspar tinha feito um baita tratamento nos meus cabelos.
Bom, o cabelo aguentou a noite do casamento mas no outro dia estava isuportável, pois coça bastante antes de cair. Enfim, resolvi enfrentar e raspar todo. Inesquecível, sabia que sofreria muito com aquela situação. Minha mãe forrou o chão com jornal, colocou um banquinho no meio e o meu então noivo começou a raspar com um aparelho de raspar, aqueles elétricos que fazem o barulhinho também inesquecível. O início foi horrível, porém, aconteceu uma coisa muito curiosa. Tenho uma grande amiga que é praticamente uma irmã, amo muito ela, passamos muitas coisas maravilhosas juntas, ela é quase um anjinho na minha vida. Ela está morando nos Estados Unidos a cerca de 8 anos. Inacreditavelmente, no que o Jeverson começou a raspar, o telefone tocou e era ela, a Adri. Eu já estava chorando e contei a ela oque estava fazendo. Não sei direito oque aconteceu mas ela começou a me contar várias histórias de lá e quando eu dei por mim, já havia acabado. Sabe, ela me envolveu tanto com os assuntos dela que não vivi direito aquele momento que sei que seria muito sofrido. Entendem agora porque digo que ela é um anjinho? Esperem porque ela ainda será citada muitas vezes nos meus relatos e todos são mais ou menos nesse estilo.
Depois disso, começei a estrapolar na criatividade para disfarçar a falta do cabelo e me sentir bonita. Me fazia bem me sentir bonita e o meu lema era não ter a aparência de quem está doente para ajudar a não me sentir doente. Acredito que a nossa cabeça é capaz de melhorar ou piorar o tratamento e eu  estava disposta a fazer um pacto com a minha cabeça para que tudo ocorresse da melhor forma possível.
Agora, era tocar a vida e lutar, muito!!!!!!!!!!!!



domingo, 17 de outubro de 2010

Primeira químio

Local da químio. Uma clínica maravilhosa com uma enfermeira que é um anjo.
Não tem jeito de se acostumar com a picada
E assim é uma aplicação de químio.
Chegou o dia da primeira químio. Elas ocorreram de 21 em 21 dias. Minha mãe me acompanhou para a sessão. A aplicação é feita em uma clínica muito agradável, poucas pessoas na sala e uma enfermeira tão astral que por alguns instantes dá até para esquecer que estou fazendo a temida quimioterapia. Durou cerca de 3h. Não senti nada durante a sessão e nem durante o resto do dia. Animada com a decoberta de que não sentiria nada marcamos uma janta em uma pizzaria maravilhosa com um casal muito querido de amigos, Fê e Eduardo. Comi, comi, comi... muito bom!!! Alias, sou bem comilona, dei sorte de não engordar com facilidade. Bom, o problema é que eu não sabia que os efeitos dariam no outro dia. Noooossa, fiquei muito enjoada, não podia nem pensar em comida.  Esse foi o primeiro sinal de que estava passando por um tratamento realmente difícil. Entendi que na semana da químio teria que fazer uma dieta leve para amenizar os sintomas de enjôo.
Mas ainda viria outra prova que teria que passar com força e esperança. A queda do cabelo. Isso tem dia certo para acontecer, 15 dias após a primeira químio os cabelos cairam totalmente. Esse será o próximo capítulo. Até amanhã!!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Inicio de tratamento


Brinde ao nosso noivado. Família amada.

Noivado feliz
Eu, Jeverson e meus pais após o pedido de casamento
Bateria de exames. Assim começou a minha luta para vencer essa doença que entrou em silêncio no meu corpo. Uma série grande de diferentes exames em diferentes lugares. Meus pais e meu então noivo na época foram de extrema importância durante toda essa caminhada. Houve uma divisão natural entre eles para me acompanharem nos exames.

Faço aniversário em novembro, dia 16, 3 meses antes de ser diagnosticada com câncer de mama, fiz uma festinha de comemoração com todos os meus amigos, meus pais, irmão, cunhada e sobrinhos, ao todo eram umas 30 pessoas. Foi uma noite inesquecível, fui pedida em casamento pelo meu amor. Um pedido formal ao meu pai em frente a todos. Não consigo esquecer aquela noite. Enquanto ele fazia o pedido eu ia olhando emocionada ao redor e minha mãe e minhas amigas choravam de alegria. Há, minhas amigas, outro capítulo que quero contar na sequência.
Marcamos o casamento para setembro. Muuuuita alegria!!!

Bom, voltando ao fato. Até então minha médica achava que o casamento não precisava ser cancelado, que o tratamento acabaria antes. Infelizmente não foi assim que aconteceu. Com os resultados dos exames em mãos, minha médica me ligou pedindo que fosse naquele momento encontrar com ela na Santa casa de Porto Alegre. Aquele dia me desesperei. Fomos eu e o meu noivo ouvir oque ela tinha para nos dizer. Não era nada bom, o tumor estava muito grande e em grau 3. O tratamento seria longo e ela me sugeriu que parasse de trabalhar para me dedicar exclusivamente ao meu tratamento. E para completar, teria que desmarcar o casamento. Chorei muito, de medo, de tristeza, de pena. O tratamento a princípio seria: 4 químios, cirurgia, mais 4 químios e mais 1 mês de rádio.
Amanhã conto mais...



Muita emoção na hora do pedido de casamento.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

A descoberta

Férias em Ibiraquera - 2008
Oi gente! Hoje é dia 12 de outubro de 2010 e finalmente senti que chegou o momento de dividir com todos que se interessarem pelo assunto a minha luta.
Em fevereiro de 2008, enquanto estava desfrutando de merecidas férias no litoral catarinense, acomanhada do meu grande amor e de bons amigos, recebi um telefonema da minha Tia e também médica a quem chamo carinhosamente de Tiaia. Nesse telefonema ela pedia que eu voltasse 1 dia antes do final das férias pois havia marcado uma consulta com outra médica para mim. Essa, uma oncologista. Como, antes de iniciar as férias havia feito alguns exames em função de um nódulo que eu mesma havia sentido ao passar creme nos seios, entendi na hora que se tratava de algo grave em relação ao resultado.
Nunca vou me esquecer, no dia 14 de fevereiro, em uma consulta que estavam presentes, meu pai, minha mãe, meu noivo e a Tiaia, recebi a notícia de que estava com câncer de mama... E agora? Oque fazer? Como agir? Qual a esperança?
Neste blog, pretendo contar tudo que passei e oque descobri com a doença. Contarei em capítulos para que não se torne pesado e extenço demais. Também quero ilustrar com fotos que devem passar um pouco do sentimento na época.
Me acompanhem sempre, pois acredito que tudo que vivi e ainda estou vivendo poderá ajudar muitas pessoas a acreditarem que tudo pode mudar. Ou melhor, que nós podemos mudar tudo! Amanhã eu continuo...